Parece que há mesmo um sentido
envolvendo tudo, sim.
Sinto isso.
Mas sinto mais...
não descobri ainda, em mim, esse como e o porquê...


sábado, 23 de abril de 2011

E o que é uma ponte ?


Giovanna tem sete anos e veio mostrar seu desenho, uns rabiscos oblongos com pontinhos nos extremos.

Com meus olhos distantes dessa infância, não pude entender o que era.

"- É uma ponte, tio. Não sabe o que é uma ponte?"

- E o que é uma ponte? perguntei.

Ela fez uma mesura de tédio e respondeu:
"-Você já é grande e não sabe o que é uma ponte? Ponte é uma coisa que as pessoas fazem quando querem encontrar com as outras! Não vê quanta gente aqui?" - Mostra os pontinhos.

Olhei bem o desenho e, querendo embaraçá-la, disse:
- Mas tem um montinho de gente que está fora da ponte!

Esperta, ela emendou: "Umas pessoas não querem. Têm medo"

- Medo de encontrar as outras? reperguntei

"É"

-Quando uma pessoa está brigada com a outra, ela também pode fazer uma ponte?

Ela revirou os olhos, pensando e procurando uma resposta:
"Claro, né. Mas não pode ficar com medo" Mostrou de novo os pontinhos fora.

Fiquei cá pensando com meus botões eletrônicos:

...Quando a gente cresce tudo vai ficando tão complicado!
Construímos mais muros do que pontes e encastelamo-nos nos cercados...

A dificuldade maior é que parece que escavamos um grande vale entre as duas extremidades e nas caminhadas dos desencontros, nas batalhas que criamos, utilizamos a tática da "terra arrasada". Fica difícil retornar.

O que não aceitamos é que haja um ciclo contínuo dessas relações que retornam para o ajuste em roupagens diferentes, com outras caras, outros processos. Nossos seres, nossas vidas parecem os sons da corda de um instrumento em afinação com a melodia varias interrompida até compor com as outras o tom correto, a vibração harmônica, não igual.

Só longemente sabemos que comporemos o arranjo no hino ou na sinfonia sob a batuta do maestro. Enquanto isso recebemos o toque rude ou suave para expor a vibração do agora, o aperto à oitava precisa na mão dos instrumentistas: a vida, o destino, a dor e o amor.

  

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Areias de esperar


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Quando você me diz que chove eu acredito sempre.
Choveu ontem, hoje.também....
Acho que vai chover amanhã, depois, depois.
Penso que desinventaram o sol, até.
Sei como são esses cânticos dos pés roçando a areia
no silêncio caricioso que sussurra em Paraty.
Também já entendi o que seja longe... não precisa repetir.
É ruim demais saber como demora tudo quando só o que resta é esperar,
sabendo que o tempo... o tempo não é nada mais que uma expressão de dois sentires.
Ando, como fazem os que olham as aves brancas de arribada,
querendo entender de longe os mistérios das direções.
Deixe um recado, um ponto ou um traço, e eu vou compreender;
Não repare se eu me demorar na resposta
ou ficar a impressão de que nunca mais vai chegar;
pode ser que eu já tenha anoitecido por aqui
ou tudo tenha se tornado em nada e ninguém.