Parece que há mesmo um sentido
envolvendo tudo, sim.
Sinto isso.
Mas sinto mais...
não descobri ainda, em mim, esse como e o porquê...


segunda-feira, 28 de março de 2011

Sobre o encantamento

Perder o encanto não se confunde com ENJOAR

NÃO HÁ ENCANTO algum em tomar banho todos os dias, escovar os dentes, pentear os cabelos, fazer a barba. É também uma rotina, mas não enjoa.

Enjoar é próprio das coisas que se consomem com as bocas sensoriais do corpo físico;
Nesse status, até o sexo de prateleira, o beijo encomendado, seco, simples, por demais protocolar como quem beija um jornal.

Já o Encanto é um enfeitiçamento com sensores da alma. Não importa quando e quanto.
Agora é uma completa eternidade e ele ainda mostra o tamanho que o infinito tem.

É olhar para uma criança e NÃO VER SOMENTE a tez, mas ver ali mais que um filhote de primata: A semente de sonhos, dele e de quem vê, agora e mais à frente.

Não perdemos a capacidade de encantar-se e de encantar. Adormecemos.

Uns de nós imergimos em letargia e a indiferença é o reforço diário nos atos comuns:

Não se enxerga mais os jardins da praça onde se anda; não se vê o ninho de joão de-barro que surgiu no poste; o dandelion é só uma flor engraçada da criança que ficou pra traz; os sinos tocam e olha-se o relógio. Não se sonha mais.

Não é mais a alma que fala é o automatismo que descaracteriza o existir e o Ser.

Encantar-se é enxergar com olhos interiores. Ver para além das formas, ouvir as cores, cheirar o vento e monologar com horizontes distantes até onde o olhar alcança.

É um jeito silencioso de achar caminhos

Como quando, colocando o dedo em riste sobre a boca assim se diz:

- Não digas nada. Olha-me!

E, mergulhando nesse olhar, buscam-se as últimas respostas,
 
embora o olhar insista em suscitar infindáveis perguntas.
____________
Questão no Yahoo

10 comentários:

  1. Para encantar é necessário encantar-se ou despertarmos o encantamento de quando éramos crianças. Mas, adultos são tão complicados...
    constroem tantas muralhas para se protegerem, que também se protegem das simplicidades da vida, daquilo que mais nos alegra e dá prazer.

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  2. Tempos atrás havia um site onde o autor, de grande sensibilidade postava poemas e aforismos metaforizando as cascas de árvores, como as expressões humanas. Sobre a paineira dizia tudo o que disse: tão bonita e tão útil, criou defesas (espinhos) para afastar inimigos que nem os amigos podem abraçá-la. Vou tentar lembrar para reviver e postar a belíssima imagem.

    Obrigado por estar presente ainda que anonimamente.

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  3. Ser anônima, faz diferença?
    Eu me confundo no selecionar perfil aí em baixo e não tenho conta do google.

    Se voltares aqui, leia o que Drummond escreveu:

    Ainda que mal pergunte,
    ainda que mal respondas;
    ainda que mal te entenda,
    ainda que mal repitas;
    ainda que mal insista,
    ainda que mal desculpes;
    ainda que mal me exprima,
    ainda que mal me julgues;
    ainda que mal me mostre,
    ainda que mal me vejas;
    ainda que mal te encare,
    ainda que mal te furtes;
    ainda que mal te siga,
    ainda que mal te voltes;
    ainda que mal te ame,
    ainda que mal o saibas;
    ainda que mal te agarre,
    ainda que mal te mates;
    ainda assim te pergunto
    e me queimando em teu seio,
    me salvo e me dano: amor.

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  4. Olá anônima n

    Não há problema no anonimato desde que espalhe perfumes que, como estes, incitam a procurar a origem;
    que seja portador de palavras doces, boas, que sempre refrigeram o coração de quem lê e interage. Tem sido assim e gosto muito.

    Sensibilidades são almas interativas e estas tem nomes temporários.
    Acostumamo-nos a isso em face da insegurança que é da essência de nós outros.
    Mas...como os cegos também enxergam e como há regras no discernimento de espíritos, é possível saber quais são bons pelas pegadas, rastros e sinais; pelo que dizem, o que sentem e a coerência do ser em si.

    Somos quem somos, não é possível o anonimato sempre; ainda que seja em cognome, uns quês, nos diferenciam todo dia, O espelho conta, as palavras, também. Não contam?.

    Obrigado

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  5. Eu sempre volto aos comentários que faço, as palavras me contaram que você lê comentários em postagens antigas.
    Eu sempre pensei que ninguém os lia.
    Achava que eram palavras lançadas ao vento e que não chegavam a nenhum lugar, garrafas ao mar navegando a mercê das mares e ventos e que nunca pousariam nas areias da praia.
    Fiquei encabulada.

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  6. Leio.

    Porque há uma grande chance de encontrar ali um fragmento de alma afixada.
    Um momento congelado.
    Como deve ter percebido interajo no yahoo respostas e sempre tive a mania de escrever nos comentários como exatas garrafas nesse mar virtual
    http://br.answers.yahoo.com/question/index;_ylt=ArE03k6xbmg0JuQy.nJnNE3J6gt.;_ylv=3?qid=20100503065926AAjAygV

    Eis um exemplo de uma "garrafa" - encontrada:
    Comentário comentado
    http://br.answers.yahoo.com/question/index;_ylt=Ak4IE4PCOBOW_CWMWaRbrK3J6gt.;_ylv=3?qid=20100417113814AAsvWVH

    Esta está ancorada em lugar sabido, mas ninguém a abriu:
    http://br.answers.yahoo.com/question/index;_ylt=Ak6Qt38wRm4FVwu93lWc4PLJ6gt.;_ylv=3?qid=20100607185928AA4uFmV

    Esta outra se perdeu ou se quebrou mas guardo por um tempo o meu bilhete:

    "Tenho a mania de escrever nos comentários,
    como o passear à-toa por um cemitério.
    Uma pergunta morta e uns textos solitários
    aos quais, absorto, deposito o olhar mais sério.

    Há pouco, sinto, havia aqui outros iguais
    o que externar sentiam traçando de si.
    Sei que não voltarão ao jazigo, não mais,
    nem poderão mudar mais os textos daqui.

    De certa forma parece um pouco com a vida
    a uma pergunta séria, um troçador responde
    e outro retruca irado ou de forma atrevida...
    Difere é que Deus vê o que o avatar esconde"

    Um bilhete real encontrado:
    http://br.answers.yahoo.com/question/index;_ylt=Amni7QuGbYJMTJcYSYaI1LTx6gt.;_ylv=3?qid=20110519053739AAgH66s

    A natureza é assim, feita de paisagens que guardamos, umas no album de fotos, outras na memória da alma; umas gráficas, outras imaginadas.

    Um abraço.

    Obrigado por interagir.

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  7. Este comentário foi removido pelo autor.

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  8. Que bom que sorriu!
    Cuidado com os ventos. Dandelions costumam dissolver-se em mil paraquedinhas.
    São sementes, dizem. Espero que sejam sementes de sorrisos. O mundo, os jardins de almas precisam delas.
    Obrigado ainda uma vez mais.

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  9. Saudades de Zéfiro.
    ...
    "A borboletas migram quando chega o frio
    aos mais amenos ventos de uma outra estação.
    Como igualmente migra um amor arredio,
    que, como o verso, esquece um outro coração
    Não me espere florir nem que em maio setembre.
    Voe sem pressa, alegre e aos rumos do seu poente...
    Pois sei que muito em breve algo fará que lembre
    Que o corpo é pó. A alma é que vive eternamente."

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