Parece que há mesmo um sentido
envolvendo tudo, sim.
Sinto isso.
Mas sinto mais...
não descobri ainda, em mim, esse como e o porquê...


quinta-feira, 17 de março de 2011

O que expressam os rastros no céu?


Eu, muitas vezes, quando estou na praia, campo ou mesmo em casa,
olho pro céu e vejo uns rastros longos, tênues, retilíneos, que saem de um nada e, para um nada, vão.

Parece um traço em giz,  que vai cindindo o céu em gradientes de azuis
- embora só o tempo que desenha instantes é que faz essa divisão -
Imita o vento. Mas sente-se quando é o escape de qualquer avião.

Vistos daqui de baixo só a imaginação pode sondar quantos destinos fogem
de um lugar pra outro, a toda hora, buscando seus sonhos, ilusões, anseios...
Uns... desvios, outros...trilhas, ouros longe, como se a felicidade residisse lá.

Caminhos sem volta, rotas mal traçadas, sorte ou infortúnio no imponderável desse  agente mágico, senhor da incerteza do íon da almatômica quando quer brincar de fazer nossas vidas oscilar entre ora boa  e ora má.

Fácil é não perceber. Muitas vezes, não se ouve nada, há muito ruído à volta e só o que se vê, depois, é um risco branco que se esvai, sutil e lentamente ao vento...

É que Éolo  também faz seus riscos  para confundir, como as escolhas, filhas do querer, aspirações do Ter, na atual equivocada compreensão de Ser, que engana no momento. 

Ao olhar pro alto, e nisso refletindo, todos, invariavelmente estacam a caminhada; a vista prendem, tropeçam nos passos e, embaralha, a visão

como os destinos embaralham verbos e a conjugação.

Ter é, ora, um verbo em tempo de fugir, voar 

O sonho é o risco que, bem lento, esfumaça no ar

Quando o Estar ou o Ser não é mais do que mera  flexão.

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                   foto gentilmente cedida por Marcos Lana - flickr.com/photos/8592135@N02/1547193539/


2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Por que sempre retornas aos campos floridos da alma?
    Os que florescem em pleno inverno.
    O que buscais, minha alma?
    Talvez a poesia.
    Aquela que alimenta a alma cansada e renova as forças.
    A que é orvalho celeste e rega os campos ressequidos.
    O solo mirrado, excessivamente magro.
    Mas esperas aqui encontrar tudo o que desejas?
    Não, não mesmo.É somente um desvaneio, uma imaginação sem lógica, uma fuga da realidade.
    Oras, a quem estás a enganar?
    A mim mesma, oras, mas foi bom e agradeço.
    Obrigada

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