Parece que há mesmo um sentido
envolvendo tudo, sim.
Sinto isso.
Mas sinto mais...
não descobri ainda, em mim, esse como e o porquê...


quarta-feira, 9 de março de 2011

E era carnaval



Hoje é ainda só a quarta-feira
e há um ar de que o carnaval foi há um ano atrás.
Choveu demais.

Havia nas ruas um tal desconcerto, uns desvios de mão,
que se eu não conhecesse o caminho teria ficado na chuva;

dela os pingos dançavam e ao cair se ouvia um som;
a natureza, a seu modo, por aqui, também escorreu em folia.

Um atabaque longe, um mentir tudo bem como se a alegria
tivesse escapado de onde dorme presa todo dia,
arrebentado a tranca e voado pela rua, encharcada de cores, quase nua.    

A garoa queria que eu ficasse  e acompanhou-me onde fui. Ficou

Hoje, que é cinzas, como dizem, saiu dos lençóis, como a amante furtiva
que se esconde da surpresa e correu a acender todos os sóis.
Nem sei o que fazer deles, por ora.

Há uma estranha ressaca, um deboche no ar, um sem graça e sem sal.

Vou devolver dois livros que li enquanto era carnaval.

Passei na banca de jornal, o dono nem me cumprimenta. Está mal humorado.

O mundo voltou à rotina. Está normal.

Parece, como antes, maravilhosamente igual.

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