Parece que há mesmo um sentido
envolvendo tudo, sim.
Sinto isso.
Mas sinto mais...
não descobri ainda, em mim, esse como e o porquê...


quarta-feira, 3 de outubro de 2012

O que é a Beleza? É possível defini-la?


Esta questão esteve em aberto no Yahoo(*) e por alguma razão técnica ou idiossincrática do site, meus comentários finais não puderam ser feitos ao fechá-la.  Faço-os aqui onde me refugio.

A primeira resposta foi como eu previra, isto é: A beleza é como os olhos veem.
Ao replicar obtive um complemento da mesma natureza. Assim...

*´¨)
¸.•´
(¸.•*¨*•►Refletindo sobre a questão

Cegos não enxergam mesmo a Beleza! Os cegos da alma.

Porque os olhos são um dos sensores do cérebro para enxergar, mas não os únicos.
E enxergar não é olhar. Há os que tem olhos e não veem, como os que têm ouvidos e não ouvem.

A Beleza é um eco. É uma resposta vibratória como dois diapasões calibrados à mesma frequência. Um responde quando o outro é tocado.

Diz um poeta que a Beleza só é perceptível àquele que consegue fazê-la despertar dentro de si. Ninguém que não a tenha em si, consegue vê-la e senti-la. Não é um diapasão do tom exato. Disse ainda, num poema, falando de amor: "Quando te vi amei-te já muito antes. Tornei a encontrar-te quando te achei".

E é possível defini-la? Definir não é delimitar? Para isso as palavras são pobres, porque não há vocábulos exatos para as sensibilidades. Isso ocorre com a dor, com a tristeza, com a alegria, com o amor e com a felicidade.

Caminhamos aqui por vários conceitos de tantos amigos e o que se extrai é pura sensibilidade, mas não definição, porque seria como cercar o arco-íris.

"são padrões-visuais?" [danilooo] ou "aquilo que se sente bem"[?],
"o que vemos e desperta admiração como um assombro"[Taisu],[Johnny]
Ou a "simetria" que encontramos na natureza, nas pessoas pelos olhos de quem vê [?]
Fazemos parte da beleza que vemos? Somos nós mesmos na forma pura?[Gabriel]
Poderia talvez ser uma resposta ao prazer que buscamos[Carla]
Estaria conectada à sensação de felicidade[Anderson Lost]
Uma emanação da alma encantada que percebe a vida intensamente[Sunshine]

Talvez isso! Um encantamento! Um êxtase!

Um mergulho interior que nos dilui na cósmica vibração do Todo!

Agradeço a todos os amigos que participaram deste enlevo e que, não podendo ler no YR fazem-no aqui.




                                                               ♪              ♫                 ♪


sábado, 23 de abril de 2011

E o que é uma ponte ?


Giovanna tem sete anos e veio mostrar seu desenho, uns rabiscos oblongos com pontinhos nos extremos.

Com meus olhos distantes dessa infância, não pude entender o que era.

"- É uma ponte, tio. Não sabe o que é uma ponte?"

- E o que é uma ponte? perguntei.

Ela fez uma mesura de tédio e respondeu:
"-Você já é grande e não sabe o que é uma ponte? Ponte é uma coisa que as pessoas fazem quando querem encontrar com as outras! Não vê quanta gente aqui?" - Mostra os pontinhos.

Olhei bem o desenho e, querendo embaraçá-la, disse:
- Mas tem um montinho de gente que está fora da ponte!

Esperta, ela emendou: "Umas pessoas não querem. Têm medo"

- Medo de encontrar as outras? reperguntei

"É"

-Quando uma pessoa está brigada com a outra, ela também pode fazer uma ponte?

Ela revirou os olhos, pensando e procurando uma resposta:
"Claro, né. Mas não pode ficar com medo" Mostrou de novo os pontinhos fora.

Fiquei cá pensando com meus botões eletrônicos:

...Quando a gente cresce tudo vai ficando tão complicado!
Construímos mais muros do que pontes e encastelamo-nos nos cercados...

A dificuldade maior é que parece que escavamos um grande vale entre as duas extremidades e nas caminhadas dos desencontros, nas batalhas que criamos, utilizamos a tática da "terra arrasada". Fica difícil retornar.

O que não aceitamos é que haja um ciclo contínuo dessas relações que retornam para o ajuste em roupagens diferentes, com outras caras, outros processos. Nossos seres, nossas vidas parecem os sons da corda de um instrumento em afinação com a melodia varias interrompida até compor com as outras o tom correto, a vibração harmônica, não igual.

Só longemente sabemos que comporemos o arranjo no hino ou na sinfonia sob a batuta do maestro. Enquanto isso recebemos o toque rude ou suave para expor a vibração do agora, o aperto à oitava precisa na mão dos instrumentistas: a vida, o destino, a dor e o amor.

  

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Areias de esperar


.•*¨*•.¸¸.•*¨*•.¸¸¸¸¸¸¸FOR NO ONE¸¸¸¸¸¸¸.•*¨*•.¸¸.•*¨*•.¸
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Quando você me diz que chove eu acredito sempre.
Choveu ontem, hoje.também....
Acho que vai chover amanhã, depois, depois.
Penso que desinventaram o sol, até.
Sei como são esses cânticos dos pés roçando a areia
no silêncio caricioso que sussurra em Paraty.
Também já entendi o que seja longe... não precisa repetir.
É ruim demais saber como demora tudo quando só o que resta é esperar,
sabendo que o tempo... o tempo não é nada mais que uma expressão de dois sentires.
Ando, como fazem os que olham as aves brancas de arribada,
querendo entender de longe os mistérios das direções.
Deixe um recado, um ponto ou um traço, e eu vou compreender;
Não repare se eu me demorar na resposta
ou ficar a impressão de que nunca mais vai chegar;
pode ser que eu já tenha anoitecido por aqui
ou tudo tenha se tornado em nada e ninguém.


segunda-feira, 28 de março de 2011

Sobre o encantamento

Perder o encanto não se confunde com ENJOAR

NÃO HÁ ENCANTO algum em tomar banho todos os dias, escovar os dentes, pentear os cabelos, fazer a barba. É também uma rotina, mas não enjoa.

Enjoar é próprio das coisas que se consomem com as bocas sensoriais do corpo físico;
Nesse status, até o sexo de prateleira, o beijo encomendado, seco, simples, por demais protocolar como quem beija um jornal.

Já o Encanto é um enfeitiçamento com sensores da alma. Não importa quando e quanto.
Agora é uma completa eternidade e ele ainda mostra o tamanho que o infinito tem.

É olhar para uma criança e NÃO VER SOMENTE a tez, mas ver ali mais que um filhote de primata: A semente de sonhos, dele e de quem vê, agora e mais à frente.

Não perdemos a capacidade de encantar-se e de encantar. Adormecemos.

Uns de nós imergimos em letargia e a indiferença é o reforço diário nos atos comuns:

Não se enxerga mais os jardins da praça onde se anda; não se vê o ninho de joão de-barro que surgiu no poste; o dandelion é só uma flor engraçada da criança que ficou pra traz; os sinos tocam e olha-se o relógio. Não se sonha mais.

Não é mais a alma que fala é o automatismo que descaracteriza o existir e o Ser.

Encantar-se é enxergar com olhos interiores. Ver para além das formas, ouvir as cores, cheirar o vento e monologar com horizontes distantes até onde o olhar alcança.

É um jeito silencioso de achar caminhos

Como quando, colocando o dedo em riste sobre a boca assim se diz:

- Não digas nada. Olha-me!

E, mergulhando nesse olhar, buscam-se as últimas respostas,
 
embora o olhar insista em suscitar infindáveis perguntas.
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Questão no Yahoo

quarta-feira, 23 de março de 2011

O Outono que chega

20-03-2011  20:21h   







Esta estação é feita de cinzas e marrons?

Tenho prestado uma atenção maior nos ventos e no ar da vida, destes tempos.


Sopram fortes demais, sem a suavidade que o outono requer.

As folhas retorcidas não sabem dançar graciosas nesse ritmo louco, de tufão.

Além do mais, não há espectadores para ver, por ver, aqueles redemoinhos espiralando folhas fátuas pelos ares.

Dizem que há interferências ora de Señor El Niño, ora da contraparte amuada El Niña. Mas são desculpas formatadas, rotas, a explicar o que é notável já:

A natureza, parece, cansou-se da poesia de si mesma ante as indiferenças,
que vêm da busca desenfreada dos sentidos à venda nas lojas em suaves prestações.

Ninguém mais anda por andar, alegre, descalço nas sarjetas enquanto chove;
Um tal mau humor campeia pela ruas, praças e alamedas, que sorrir e acenar, soprar um beijo são gestos furtados, em desuso.

Só as crianças, puras, inocentes, sabem retribuir. Mas logo reprimidas pelos que morreram:

 - Não acene para estranhos! E rapidamente puxam os zíperes dos corações.

O outono prepara o inverno e está cada vez mais nublado e cinza. Mais estranho.

O homem deforma e mascara interna e externamente suas estações?


domingo, 20 de março de 2011

O Pássaro e a Vidraça


Da sala de trabalho dava para ver um jardim cercado de cedrinhos muito verdes, aparados mais ou menos a um metro de altura circundando todo o prédio da administração da empresa. Entre os ramos, frequentemente encontrávamos ninhos de passarinhos, que faziam a alegria daqueles que os encontravam e se colocavam como tutores até que os filhotes ganhassem os ares.

Também era visível da janela, ao longe, a Serra da Cantareira, que aos poucos vai sendo asfixiada pela cidade que cresce sem parar. A paisagem ainda hoje é encantadora e cativante. A vista dali parecia facilitar o enfrentamento dos problemas e o estresse do trabalho das  horas da jornada.

Os vidros das esquadrias das janelas eram cobertos com um insulfilme que os transformavam  num espelho espião: quem estava na sala via tudo o que ocorria lá fora; quem estava lá fora, via apenas um espelho muito polido.

Acontecia quase todos os dias, nas primeiras horas, de eu ser assustado com o barulho de animosos pardais, bem-te-vis e outros pequenos pássaros que se chocavam abruptamente contra a vidraça-espelho. Viam, de longe, seu inimigo querendo tomar-lhes o território e atiravam-se com o bico afilado. Mesmo depois do choque, continuavam insistindo, saltitando, bicando, até que eu os espantava, levantando o vidro. Após alguns instantes, ei-los de volta com a mesma sanha, o que só manchava o vidro, mas os feria, lamentavelmente.

Mais de uma vez, circulando à volta do prédio, eu vi sob uma das janelas espelhadas, um pássaro morto, manchado de sangue. Com toda certeza, em decorrência do contra-ataque do seu inimigo virtual, que revidou a investida com a mesma intensidade.

No trabalho que eu exercia, dirigindo pessoas e processos administrativos, o mais comum era ter que ouvir, compartilhar problemas pessoais, íntimos e familiares, de toda ordem. Eles interferiam de tal sorte nas suas vidas, que não conseguiam estar completamente presentes do trabalho. Só o corpo estava. A mente e as emoções sempre estavam noutros lugares, onde os conflitos estacionavam.

Nessas ocasiões conseguia perceber quantos de nós vivemos imitando aqueles pássaros de que falei: Enxergamos inimigos, combatemos com ele, somos subjugados por ele, sem perceber que são nossos reflexos, erros e imperfeições que revidam nessa batalha que travamos e que pode durar uma vida inteira, quando não saímos de dentro de nós.